Um “post” não acaba quando apertamos o botão de “Publicar” – pelo menos para mim. E, especialmente, porque a enorme diferença entre a edição convencional e a edição por demanda é, justamente, o texto não estagnar.
Por isso, ainda com o assunto do “post” abaixo rolando na cabeça, esbarrei com o texto do João Ubaldo publicado no Globo –
(“Singrando os ares”, domingo, 25 de Outubro de 2009, página 7). João Ubaldo começa o texto reclamando de tempo em que o autor não trabalhava como funcionário do departamento de vendas da editora, como hoje. O assunto do texto é outro, mas essa lembrança de João Ubaldo serviu de mote para ir buscar na memória mais fundamentação para o meu texto.
Lembrei-me do filme “Antes do por do Sol” (Beforfe Sunset, 2004, direção de Richard Linklater, com Ethan Hawke e Julie Delpy). Neste filme, o casal se reencontra nove anos depois de uma noite que passaram juntos. Eles se reencontram porque “Jessie”, agora um escritor americano de sucesso, está fazendo um giro de divulgação de seu último livro, pela Europa. Ele está bastante cansado da viagem; Paris é a última parada. “Celine” passa pela pequena livraria .. e o resto é o fime.
Puxando um pouco mais, lembrei do primeiro texto que produzi e que recebeu um convite para publicação. A editora me pediu para preencher um relatório e, depois de responder sobre qual a importância do meu texto para o contexto nacional, e internacional, qual o diferencial apresentado, vinham as perguntas “definitivas”: eu era professor? quantos alunos? era palestrante? qual a expectativa de venda? (Somente para registro, este texto nunca foi publicado.)
Quase trinta anos depois, recebí para analisar um texto de um autor que, para agilizar o processo, me encaminhou junto com texto os formulários já encaminhados para outra editora. Continuavam lá aquelas perguntas: é professor? quantos alunos? qual a expectativa de vendas?
Outro autor me ligou esta semana, cheio de dedos. Havia recebido a proposta de outra editora para publicar um livro seu, que estava conosco. O que fazer? Como resolver? Sem problemas!
A vocação de nossa editora é essa: abrir portas. A edição por demanda não tem a preocupação imediata de custos, que norteia a maioria das editoras convencionais. Os custos relativamente baixos nos permitem experimentar com títulos nem sempre “economicamente viáveis”. E a distribuição via internet nos permite ser acessados em lugares muitas vezes inacessíveis pela distribuição convencional. Isso acaba por ampliar nossas vendas para além das salas de aulas e das palestras.
Mas, sem dúvida alguma, é o trabalho do autor – funcionário do nosso departamento de marketing – quem mais trabalha na divulgação do seu livro. Nas grandes, ou nas pequenas editoras.